vísceras do som:
peças suplementares de outros carnavais!
alimentando as surdinas
dos jovens malandros
que transcendem o ritmo corriqueiro,
e se projetam na leveza da harmonia.
talabartes dos sorrisos,
segurando a alegria num outro nível:
sustentada pelas batidas surdas
e pelos tremores repicados.
a noite brilha sob nós
e o som vai se misturando na fumaça.
quarta-feira, janeiro 12
quarta-feira, janeiro 5
síncope
quando o sol se fez no hoje
fez claro no meu tempo
a glória da grandeza.
por minha vez,
me fiz filho!
a olhar mãe amamentando dezenas de outros.
é como se fosse filtro
das vontades do rei-sol
- filtro grosso, robusto.
pairado na sombra de um sonho.
no sonho de um sutil adormecido.
quando sua mente se faz das lembranças banais,
ativado por uma breve poesia cerebral.
a síncope do sonho,
se fez aqui, na linha e no fluir,
nas notas de minhas palavras.
quando o sol se fez no hoje,
a vida se sutilizou um tanto mais.
simplismente está aqui,
paralela e, ao mesmo momento,
tangente ao fato hostil que é ser.
fez claro no meu tempo
a glória da grandeza.
por minha vez,
me fiz filho!
a olhar mãe amamentando dezenas de outros.
é como se fosse filtro
das vontades do rei-sol
- filtro grosso, robusto.
pairado na sombra de um sonho.
no sonho de um sutil adormecido.
quando sua mente se faz das lembranças banais,
ativado por uma breve poesia cerebral.
a síncope do sonho,
se fez aqui, na linha e no fluir,
nas notas de minhas palavras.
quando o sol se fez no hoje,
a vida se sutilizou um tanto mais.
simplismente está aqui,
paralela e, ao mesmo momento,
tangente ao fato hostil que é ser.
terça-feira, janeiro 4
sala sonora
na sala sonora
desenhamos o amor no chão
da sala sonora.
com nossos lápis imprecisos
arranhamos sentimentos
na sala sonora
servimos de discos,
rodando e rodando
dum lado pro outro
na sala sonora.
eu perco o resto da minha mente
na sala sonora.
como se parasse o tempo,
alienasse os sentidos.
e a vida se fizesse de um só momento
na sala sonora.
desenhamos o amor no chão
da sala sonora.
com nossos lápis imprecisos
arranhamos sentimentos
na sala sonora
servimos de discos,
rodando e rodando
dum lado pro outro
na sala sonora.
eu perco o resto da minha mente
na sala sonora.
como se parasse o tempo,
alienasse os sentidos.
e a vida se fizesse de um só momento
na sala sonora.
terça-feira, dezembro 28
o aprontamento do beijo
olho que sente o toque
que apronta os impulsos do aconchego
é mesmo olho que lê o lábio
mesmo que fechado.
são alguns centímetros eternos,
e rapidamente arrepiantes, calorosos.
é só um nada entre dois sorrisos
mas quando se ouve a dança sincera
esse nada se vira num espetáculo.
são alguns segundos intermináveis
que no escuro de nossos olhos fechados
desenham leve o setimento,
transformam o não-palpável
em forma concreta, colorida.
transforma o amor em saliva e nó.
transforma o pensamento num só.
ali e naquela hora.
pode durar somente ínfimos minutos,
mas o infinito rouba a cena
e o beijo se enche dele.
o beijo,
o gosto e a pele.
que apronta os impulsos do aconchego
é mesmo olho que lê o lábio
mesmo que fechado.
são alguns centímetros eternos,
e rapidamente arrepiantes, calorosos.
é só um nada entre dois sorrisos
mas quando se ouve a dança sincera
esse nada se vira num espetáculo.
são alguns segundos intermináveis
que no escuro de nossos olhos fechados
desenham leve o setimento,
transformam o não-palpável
em forma concreta, colorida.
transforma o amor em saliva e nó.
transforma o pensamento num só.
ali e naquela hora.
pode durar somente ínfimos minutos,
mas o infinito rouba a cena
e o beijo se enche dele.
o beijo,
o gosto e a pele.
domingo, dezembro 26
me dói a espera
pura vaidade do pensamento
- ser a união forte de duas almas.
vaidade ruim.
descolorida de mal cheirosa,
que cada vez mais é alimentada pela raiva de outros,
maltratando dois sorrisos.
por ora é o que se passa
- e esse asco só se aumenta, dia a dia.
e cada vez mais o chorume do meu amor aumenta.
e faz a saúde esvair-se rapidamente.
ela pula dos olhos,
dos coros e choros.
e um rio lagrimal me afoga.
machuca meu querido futuro,
meu pesado querido futuro.
entendo essa distância,
essa aversão aos passos,
essa distância da dança que me levanta,
porém a compreensão não é minha vizinha
e não está presente nalguns olhares flamejantes.
ao meu ver, o tempo não fez seu papel.
digo o tempo de antes, o tempo dentro da minha cabeça,
o tempo de antes do retorno.
ao meu ver:
o tempo se ampara sendo assassino.
- de amores e mudanças.
- ser a união forte de duas almas.
vaidade ruim.
descolorida de mal cheirosa,
que cada vez mais é alimentada pela raiva de outros,
maltratando dois sorrisos.
por ora é o que se passa
- e esse asco só se aumenta, dia a dia.
e cada vez mais o chorume do meu amor aumenta.
e faz a saúde esvair-se rapidamente.
ela pula dos olhos,
dos coros e choros.
e um rio lagrimal me afoga.
machuca meu querido futuro,
meu pesado querido futuro.
entendo essa distância,
essa aversão aos passos,
essa distância da dança que me levanta,
porém a compreensão não é minha vizinha
e não está presente nalguns olhares flamejantes.
ao meu ver, o tempo não fez seu papel.
digo o tempo de antes, o tempo dentro da minha cabeça,
o tempo de antes do retorno.
ao meu ver:
o tempo se ampara sendo assassino.
- de amores e mudanças.
sexta-feira, dezembro 24
definição
é definição:
a palavra aguda
que muda o sorriso.
o pedido,
cercado da chuva,
se fez grande.
e em sua grandeza,
se fez realeza
o sabor do beijo.
e levado à diante
o atenuante amor
se fez feliz.
a palavra aguda
que muda o sorriso.
o pedido,
cercado da chuva,
se fez grande.
e em sua grandeza,
se fez realeza
o sabor do beijo.
e levado à diante
o atenuante amor
se fez feliz.
sábado, dezembro 18
(des)levedura
a desfermentada carne vossa
é o verbo saturado do material;
calhado do suor concreto.
confundindo as frases
num estranhado suingue;
é o grosso da idéia.
maltratado.
escroto.
é como se deixasse
ir ao longe seu maior bem,
sua maior arte composta;
é um acorde pisado,
pisoteado,
amargamente abandonado.
é deixar de lado sua fonte
não é o mais confortável pra cunjuntura atual.
não é bem.
e este vai se perdendo,
junto das formas significantes
junto do significado.
é o verbo saturado do material;
calhado do suor concreto.
confundindo as frases
num estranhado suingue;
é o grosso da idéia.
maltratado.
escroto.
é como se deixasse
ir ao longe seu maior bem,
sua maior arte composta;
é um acorde pisado,
pisoteado,
amargamente abandonado.
é deixar de lado sua fonte
não é o mais confortável pra cunjuntura atual.
não é bem.
e este vai se perdendo,
junto das formas significantes
junto do significado.
quinta-feira, dezembro 16
terça-feira, dezembro 14
ele quem sabe
Quero amor cru.
Repleto dos palcos queridos,
Amado em sentido corrido.
Nu.
Sei que há dores
E desgostosos sabores,
Mas a luz é maior,
E o brilho sabe mais.
Sabe mais da chuva,
Do dia querido,
Da palavra dita.
Sabe mais da tarde,
Da flor,
Da cor, próprio amor.
Carece a ele o sabor.
Sabe mais do sorriso,
Do apego sabe mais.
Sabe mais do beijo,
E nele se refaz.
Repleto dos palcos queridos,
Amado em sentido corrido.
Nu.
Sei que há dores
E desgostosos sabores,
Mas a luz é maior,
E o brilho sabe mais.
Sabe mais da chuva,
Do dia querido,
Da palavra dita.
Sabe mais da tarde,
Da flor,
Da cor, próprio amor.
Carece a ele o sabor.
Sabe mais do sorriso,
Do apego sabe mais.
Sabe mais do beijo,
E nele se refaz.
poema moribundo
Descansada da estúpida monotonia que nos veste
A morte vem e nos rouba da naturalidade do livre.
Amamenta a verrucal teimosia e num piscar a leva.
Apaga da vista jovial uma corada luminância - e dói.
É da morte o esdruxulo da traição, a descortesia da solidão.
É assim que se é, quando ser tomado por ela é mais forte que a decência
Quando seus braços são desgrudados de um corpo amado
E um abraço vaza e escorre junto das lágrimas.
É incitar a dor. Cutucar uma longínqua saudade instantânea.
Como se fizesse anos.
É longe. Distante, ao ponto de não saciarmos a tristeza
E de não entendermos a realeza de nossos saudosos.
A morte vem e nos rouba da naturalidade do livre.
Amamenta a verrucal teimosia e num piscar a leva.
Apaga da vista jovial uma corada luminância - e dói.
É da morte o esdruxulo da traição, a descortesia da solidão.
É assim que se é, quando ser tomado por ela é mais forte que a decência
Quando seus braços são desgrudados de um corpo amado
E um abraço vaza e escorre junto das lágrimas.
É incitar a dor. Cutucar uma longínqua saudade instantânea.
Como se fizesse anos.
É longe. Distante, ao ponto de não saciarmos a tristeza
E de não entendermos a realeza de nossos saudosos.
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