sexta-feira, julho 1

mãe lua

olhe! se não é a lua!
toda pomposa
alumiando com seu sorriso
a timidez de doces bárbaros.

olhe! e veremos.
e olhando com atenção
ela é maior do que parece
e pode nos iluminar
por muito mais tempo.

sem título

e esqueça de rodeios.
apagões deletam a falsidade
que não sabe desenhar reto.

e não abrace a solidão.
por que sozinha, a vida
se perde e se desilude
entre vãos curtos e apertados.

e não sente-se.
há um milhão de pessoas
precisando pensar!
- saia correndo,
e fique em pé.
imponha o amor,

que este se faz mais confortável.

freguês da meia noite

é como se fosse freguesa
dos olhos.
dançando sentada,
pedindo olhar
e negando o seu próprio.

fugindo entre outros corpos
cambaleantes
e fazendo uma simples conversa
apertar o coração e os sentimentos.

é freguesa única,
pois colore a feira
de sinceridade
e pinta sorriso nos passantes.

quinta-feira, junho 30

talvez.

talvez o tempo
não seja tudo para se agir.

talvez seja um misto
de tempo, com abraço,
com riso.
com olhar.

talvez o tempo sozinho
leve uma vida para agir,
sendo que qualquer ação
pode ser vivida, e não tão aguardada.

talvez seja uma sensação estranha
de mãos dadas com o tempo
e com o abraço
e com o riso
que faça o sol nascer.

e talvez esse sol pode nascer
com uma agulha em mãos
pra, devagarinho e com muita sabedoria
perfurar uma bolha de desilusão.

talvez seja tudo isso,
talvez seja mais.

mas esse 'talvez seja'
só virará um 'é' com a ajuda
dos nosso desejos.
desejos aliados ao tempo.

aliados.

quarta-feira, junho 29

maquiagem da terra

Tanto tempo de sol
Tanto fala-se do sol
Secaram-se minhas lembranças da chuva
E quando chove,
A água que cai,
Deixa o ar brilhante.
E como se fossem
Rostos de mulheres

As folhas se maqueiam
De gotas douradas.

Gotas de chuva que,
Vindas do céu
São fragmentos dos deuses;
Líquidos divinos.
E por esse motivo
Quando chove eu choro.
É o carinho de Deus
Nessa pele seca de sol.

         [e é das amizades
          e da sinceridade
          que sai a poesia]         

terça-feira, junho 28

caos, preste atenção, pois és amor

caos,
       que tanto atordoa o passado;
       que desenha de novo, à tinta,
       toda tormenta:
       - por favor se acalme e sinta.

vire,
       e sinta mais. seja mais sincero
       e se apague! pois sabe da dor.
       sei que sabe!
       e não há neblina que te cegue.

amor,
       tenha calma.
       e não tente pular ou quebrar muros!
       não afobe nem afague meu ego.
       não venha pro meu lado,
       por que só eu, sozinho,
       posso te enxergar.
       e assim, ser pleno.
       e assim se dois.
      

segunda-feira, junho 27

era letrada

nada de preguiça.
saia da vida versada
pois não há palavra cansada,
não há verso que senta e não levanta.

só há liberdade grande
e vontade de mais.

e, por outro lado,
é ´mais uma ligação.
mesmo que não sejam
tecidos comentários,
mas os versos se ligam
e o entendimento se encontra
em conversas e versos sinceros.

retrato preto e branco

tinha um e tinha outro
tinha dois juntos
e depois separados.

tinha riso trocado
e abraço apertado.

tinha calor de intriga
e frio na barriga
e depois teve o fim.

teve recomeço
e teve abraço
teve beijo
e teve laço.

teve choro
e teve outro fim.

teve tempo
teve solidão
e teve outros
e outras.

mas
agora pode ter amor.

sexta-feira, junho 24

charlatão

olhando deste lado é horrivel terminar uma quinta feira fria dessa maneira.
sufocado dessa meneira. esperando que algo aconteça. esperando a música terminar.
é bom quando você nem liga pro fim ou começo, para o nome ou duração.
é bom quando simples e naturalmente acontece essa mágica apaixonada.
- é amor.

[e, como pode, uma simples notícia causar tormenta?
agora sim, tenho certeza que amo]

quarta-feira, junho 22

peso vivo

sinto suave.
ser não é mais fácil.

não é simples
e pronto.

sinto peso.
e que peso
é mais pesado?

mas,
mesmo pesado
é querido.

vida pesa
na cara das pessoas.
puxa para baixo a pele
e o resto é esquecido.

vida pesa
mas pode realizar.