quarta-feira, setembro 1

poema

mirante maltratado
mais maléfico mortal!
machuca mil meninos
mudando minha mera maldição.
me magoa magistralmente
maliciando minúcias maravilhosas.

mastro maior:
morra! mundo merda!

olho por olho o mundo acabará cego

o mundo cego que nos olha!
essa é a problemática matéria,
a viva ilusão que nos dá a falsa realidade
das ruas,
chuvas
cães e pessoas.

a maravilha dos amores,
a qual é acorrentada em poucos sábios,
em ímpares bem vividos,
deveria ser tônica em nossos dizeres.

terça-feira, agosto 31

haikai amor

ouço um vento,
corre à mim, e me sequestra.
é amor.

sou mais que você

eu sou o preto e o branco da memória,
as dádivas dos teus pensares que vagam por outros ares;

te atento os olhos
para meus dizeres
e te furto dos sonhos nos quais se perde.

sou tua razão,
e teu ser.


o cheiro que você esquece em mil becos,
becos bêbados, sujos e verdes.
a roupa que deixa em palcos maltratado,
por teu duro drama de viver,
pelo seu pisar de pedra.

sou teu medo,
e teu corpo.

as vontades sem controle
que te estremecem os olhos
e fazem lágrimas em suas infinitas faces.

segunda-feira, agosto 30

levai as almas para o fogo do inferno

consiste numa perambulante metamorfose,
numa cor de sol e dois fundos olhares.

recheada da arte,
e da ave que te caminha as costas;

do gostoso querer e curioso sorrir
se faz o gesto mais singelo.
que em sua tez aflora a paixão
e o gozar de felicidade.


muda aflição do olhar,
que gera nenhuma palavra
senão os desejos meus,
que tanto atormentam e tremem a paz que te consola.

é o bater das asas,
e o queimar do nome
que me arrebenta os deveres,
que me cuida quando preciso,
e me esquenta.

sábado, agosto 28

linha,
que caminharei sobre,
rogo-te para assim continuar,
sem surtos ou abalos.
livre de sedes de insanidade
e paupérrimas indecisões.

não pisarei à frente
antes do tempo que tenho,
mas podemos amar
na luz da vontade,
no colher dos sorrisos.

quarta-feira, agosto 25

saber é pura luz

saberá a vida, negar o que passa?

amamentar falsos falecidos anagramas
seria mera opção de devaneios tolos.
pura rouquidão do intelecto balbucioso.

saberá a vida, negar o que passa?

apedrejar o ar não leva a lugar nenhum
se teus punhos se cerram junto da dor,
calhando o saber da divina podridão.

saberá a vida, negar o que passa?

são palhaços

quero de novo seus dois pedaços de noite
fitando vagamente meu tímido andar.
quero o cheiro, as curvas, o riso.

quero matar a vontade
de ser menos oblíquo.

preciso de discos novos

não me esqueci do velho samba,
que outrora me invadia a cara,
e como vento bagunçava meu cabelo.

não desejei mal nenhum,
e nenhum mal tentei cometer,
contudo, e mais um pouco, o disco arranhou,
e agora não há como eu consertar.

terça-feira, agosto 24

feche com força

abra a mão
e assim a ternura lhe toca a pele,
lhe dá um pouco de maciez
e te abre pro amor.

sinta o chão
e no fim, feche a mão.
guarde o macio em sua tez
e sinta,
sinta você mesmo.
mergulhe teus olhos para o outro lado,
para o outro lado de seu corpo
e se veja por inteira.

nunca abra a mão.