sexta-feira, julho 8

coração

um único dia de silêncio
me apertou as costuras do coração.

e de tanto pensar
o vermelho ficou mais forte,
com as artérias roxas,
grossas e pulsantes
- meio fora de ritmo,
mas procurando
a sintonia perfeita.

apertou as costuras do coração,
e com isso
o deixou mais firme,
mais preciso.

o deixou ciente
de que é assim.

quarta-feira, julho 6

dois animais iguais

qual ritmo
fará duas notas se abraçarem?

prefiro não saber
e tentar compô-las
eu mesmo.

com calma de formiga
e firmeza de elefante.

terça-feira, julho 5

carência

como posso não conseguir
o começo de um poema
se já tenho em mim
todos meus versos livres
e todas minhas letras?

se já estou afinado com o vento,
como posso continuar à deriva?

somente o tempo
aliado à mim mesmo
que me dirá!

a única pessoa 
que está no meio de meu caminho
é a minha pessoa.

e um belo dia
o amor receberá uma carta,
dizendo aquele sonho cresceu.
e que com toda certeza
o amor se estabeleceu.

segunda-feira, julho 4

silêncio gritante

quatro olhos fechados de testa grudada
e duas respirações que se cruzam no silêncio
às vezes dizem muito mais do que um discurso infinito.

e é abrindo a mente
com momentos precisos e preciosos
que a poesia se faz no ar,
e nos proteje do frio.

é de olhos fechados e com a boca que se vê.

ali, sentados,
meus olhos se aquietaram
e harmonicamente junto de minha boca
entraram na paz.

paz grande.
tão grande que perdi a fala
e o próprio olhar,
que enquanto estava no escuro
viajou por mil atmosferas.

e que viajem real, foi.
de causar careta e riso confortável
até na cara mais dura.

gaguejei meus sonhos, depois.
todos rodados.
e apesar de não lembra-los
prefiro deixar assim,
pois sei que estão aqui.
no fundo da mente,
quietos,
aguardando a hora certa de florescerem
e virarem mundo.

sexta-feira, julho 1

mãe lua

olhe! se não é a lua!
toda pomposa
alumiando com seu sorriso
a timidez de doces bárbaros.

olhe! e veremos.
e olhando com atenção
ela é maior do que parece
e pode nos iluminar
por muito mais tempo.

sem título

e esqueça de rodeios.
apagões deletam a falsidade
que não sabe desenhar reto.

e não abrace a solidão.
por que sozinha, a vida
se perde e se desilude
entre vãos curtos e apertados.

e não sente-se.
há um milhão de pessoas
precisando pensar!
- saia correndo,
e fique em pé.
imponha o amor,

que este se faz mais confortável.

freguês da meia noite

é como se fosse freguesa
dos olhos.
dançando sentada,
pedindo olhar
e negando o seu próprio.

fugindo entre outros corpos
cambaleantes
e fazendo uma simples conversa
apertar o coração e os sentimentos.

é freguesa única,
pois colore a feira
de sinceridade
e pinta sorriso nos passantes.

quinta-feira, junho 30

talvez.

talvez o tempo
não seja tudo para se agir.

talvez seja um misto
de tempo, com abraço,
com riso.
com olhar.

talvez o tempo sozinho
leve uma vida para agir,
sendo que qualquer ação
pode ser vivida, e não tão aguardada.

talvez seja uma sensação estranha
de mãos dadas com o tempo
e com o abraço
e com o riso
que faça o sol nascer.

e talvez esse sol pode nascer
com uma agulha em mãos
pra, devagarinho e com muita sabedoria
perfurar uma bolha de desilusão.

talvez seja tudo isso,
talvez seja mais.

mas esse 'talvez seja'
só virará um 'é' com a ajuda
dos nosso desejos.
desejos aliados ao tempo.

aliados.

quarta-feira, junho 29

maquiagem da terra

Tanto tempo de sol
Tanto fala-se do sol
Secaram-se minhas lembranças da chuva
E quando chove,
A água que cai,
Deixa o ar brilhante.
E como se fossem
Rostos de mulheres

As folhas se maqueiam
De gotas douradas.

Gotas de chuva que,
Vindas do céu
São fragmentos dos deuses;
Líquidos divinos.
E por esse motivo
Quando chove eu choro.
É o carinho de Deus
Nessa pele seca de sol.

         [e é das amizades
          e da sinceridade
          que sai a poesia]