saí da sombra na qual eu sufocava o entendimento
e a simplicidade que é conversar com o espelho.
espelho invertido, oposto e todo dançante.
nele, é como se meu reflexo se balançasse enquanto o olho
e ia dançando, mexendo e sambando
embaixo do meu nariz e não eu não era capaz de acompanhar.
talvez seja tarde.
ou, talvez, agora seja a alvorada,
o começo do império bom e sereno.
talvez seja agora.
fui pra luz.
a mesma luz que passava por tudo e me deixava na sombra.
mas do outro lado [deste lado] ela é branda e gentil.
é calma e sem mentiras.
fui pra luz.
luz que gira o disco e toca os sambas favoritos.
que aumenta o volume na hora exata e encaixa
o balançê no amor. e faz uma nota se virar em melodia
com a delicadeza de uma flor.
segunda-feira, junho 13
domingo, junho 5
haikai da mulher distante
onde estão aquelas notas?
estarão perdidas em outros instrumentos
solando seus amores em outras escalas?
estarão perdidas em outros instrumentos
solando seus amores em outras escalas?
terça-feira, maio 31
marco zero
repito minhas palavras, eu sei.
e sei, também, que não sou mais
cego o suficiente pra não conseguir esse respeito.
e fico de longe,
aliviando minha mágoa
em luzes disformes e letreiros de cabaré.
fico sem pé e sem delírio
mas não posso e não passo pela ponte do passado
- quero o zero,
o puro contato.
como se tivesse começado nesse instante
no qual meus dedos são canais e meu coração a fonte.
e sei, também, que não sou mais
cego o suficiente pra não conseguir esse respeito.
e fico de longe,
aliviando minha mágoa
em luzes disformes e letreiros de cabaré.
fico sem pé e sem delírio
mas não posso e não passo pela ponte do passado
- quero o zero,
o puro contato.
como se tivesse começado nesse instante
no qual meus dedos são canais e meu coração a fonte.
domingo, maio 22
só conto meus medos e amores
não espero alarmar raivas e furias
com meu simples sentimento.
e o divulgo na roda de todos
por que sou somente sincero
e não preciso ter medo do deprezo.
não espero alertar dores e amarguras.
sendo meu próprio freguês,
sendo único entendedor de meus versos
talvez eu precise me explicar mas claramente,
mas não há como negar
que gosto quando o desentendimento alheio saliva,
e enche as bocas da mente de curiosidade.
com meu simples sentimento.
e o divulgo na roda de todos
por que sou somente sincero
e não preciso ter medo do deprezo.
não espero alertar dores e amarguras.
sendo meu próprio freguês,
sendo único entendedor de meus versos
talvez eu precise me explicar mas claramente,
mas não há como negar
que gosto quando o desentendimento alheio saliva,
e enche as bocas da mente de curiosidade.
se você quiser amor chegue aqui
como pode?
ver de cima do monte um passado todo!
é como se os pisos dessa terra
gerasse um retrocesso em meus passos
e os fizesse lentos.
e parece que só assim
o homem não vê minha saudade.
e a alma fica fazia,
nem que for por ínfimos segundos,
mas ela fica.
mais sombreada
mais escondida.
e o amor é aqui.
disso eu tenho certeza,
mas não posso ser doce nem rude.
somente tenho que esconder
para poder ao menos ver um sorriso
e não costurar as lágrimas no meu céu particular.
ver de cima do monte um passado todo!
é como se os pisos dessa terra
gerasse um retrocesso em meus passos
e os fizesse lentos.
e parece que só assim
o homem não vê minha saudade.
e a alma fica fazia,
nem que for por ínfimos segundos,
mas ela fica.
mais sombreada
mais escondida.
e o amor é aqui.
disso eu tenho certeza,
mas não posso ser doce nem rude.
somente tenho que esconder
para poder ao menos ver um sorriso
e não costurar as lágrimas no meu céu particular.
segunda-feira, maio 2
ave maria
é como se tivesse apagado um pedaço.
pedaço que foi moldado
pela inocência de risonhas estórias,
pela mão enrugada
pelo pequeno tamanho
e pelo riso doce.
é como se o olho
que podia brilhar um pouco mais
sentisse obrigação de se esfumaçar
e assim, sem querer, acabou borrando
uma parte de coração.
fazendo, numa segunda-feira,
meu toque ir pra longe,
pra hostilidade do passado.
mas sigo a seta,
e sei que estou pronto
e sei que seu, sou.
mas vou despir meu choro,
e colorir minha tristeza com um breve sorriso.
e agora, num relance,
meus olhos vão pra outros cantos
roubando seu brilho.
pedaço que foi moldado
pela inocência de risonhas estórias,
pela mão enrugada
pelo pequeno tamanho
e pelo riso doce.
é como se o olho
que podia brilhar um pouco mais
sentisse obrigação de se esfumaçar
e assim, sem querer, acabou borrando
uma parte de coração.
fazendo, numa segunda-feira,
meu toque ir pra longe,
pra hostilidade do passado.
mas sigo a seta,
e sei que estou pronto
e sei que seu, sou.
mas vou despir meu choro,
e colorir minha tristeza com um breve sorriso.
e agora, num relance,
meus olhos vão pra outros cantos
roubando seu brilho.
segunda-feira, abril 25
domingo, abril 24
alquimia
vamos supor o céu!
alinhá-lo aos nossos sonhos,
dos quais somos eternos poetas,
famintos alquimistas utópicos.
traga-o mais para perto!
mas, de longe,
já sintetize os personagens.
alinhá-lo aos nossos sonhos,
dos quais somos eternos poetas,
famintos alquimistas utópicos.
traga-o mais para perto!
mas, de longe,
já sintetize os personagens.
sexta-feira, abril 22
alma calma
venha calma
que a alma te dá lenha
pra queimar e
viver mais.
venha calma
que eu te chamo
mais e mais,
que eu sonho
andar ao seu lado.
pois ouvi dizer
que seu olhar
é capaz de entregar
minhas dores.
seja servente
do meu corpo
e tome minha tristeza
como assento.
que a alma te dá lenha
pra queimar e
viver mais.
venha calma
que eu te chamo
mais e mais,
que eu sonho
andar ao seu lado.
pois ouvi dizer
que seu olhar
é capaz de entregar
minhas dores.
seja servente
do meu corpo
e tome minha tristeza
como assento.
deixa o vento
sou novo nêgo do mundo
jogado ao lado de outros bons.
sorrindo até o fim raiar
em nossos lares e olhares.
e nossas vontades
vão além do que se vê,
além do que pode
ser tocado pelo vento
que nos refresca do calor.
mas nem sempre
sou nêgo sorte
e a brisa que por aqui passa
entorta a flor lá do outro lado.
jogado ao lado de outros bons.
sorrindo até o fim raiar
em nossos lares e olhares.
e nossas vontades
vão além do que se vê,
além do que pode
ser tocado pelo vento
que nos refresca do calor.
mas nem sempre
sou nêgo sorte
e a brisa que por aqui passa
entorta a flor lá do outro lado.
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